segunda-feira, fevereiro 19, 2007
*isso q dá ..nao ter o q fazer...e revirar coisas antigas..... mas gosto desse texto..me faz lembrar tanto o passado a ponto de entender o presente....


onde não se responde..

Ele lhe perguntou o que fazia com o que ela sentia por ele. "Guarda", ela respondeu, com a simplicidade de quem sabe que estas coisas, quando simplesmente existem, não precisam de um alojamento, um lugar, um espaço definido. Guarda, ela lhe disse, na esperança de que ele levasse seu conselho ao pé da letra, esperando ganhar tempo prá encontrar o guardado mais tarde quando tudo fosse possível. Guarda, assim, como quem não quer nada, como quem vai usar daqui um minuto, quando sair do banho, quando sair à rua, quando for dormir, quando amanhecer. Guarda solto dentro de uma gaveta, longe dos olhos, e mesmo que voce não abra a gaveta saberá que está lá. Mas quando e se você abrir, o perfume que vier lá do fundo vai invadir o quarto, a casa...... Guarda, ela lhe disse, tentando lhe dizer tudo isso, mas pronunciou apenas "guarda", como se uma única palavra pudesse produzir cenários perfeitos para guardar o que ela sentia por ele. Então, ele lhe perguntou "onde?" Depois de tudo que ela tinha lhe dito em uma palavra, que significava entrega, um sim, um "eu acredito", ele lhe fazia uma nova pergunta. Onde? E ela, sem querer saber de pedir, sem querer entender de sofrer, sem querer explicar que o que sentia por ele estava guardado, intenso, represado e inflamável, disse simplesmente: "se não tem espaço, joga fora".

em 30/06/06
 
posted by Anjo at 9:44 AM | Permalink |


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