sexta-feira, outubro 14, 2005
Desarrumo meu mundo inteiro como quem desarruma a própria gaveta e sento bem no centro da bagunça para esperar. Espero meu limite. Contraponho inúmeras opiniões. Confundo tudo. Misturo sentimentos. Potencializo a insignificância das situações. Seguro minhas rédeas em momentos inadequados. Disparo palavras ferinas; provoco equívocos. ...
e apesar de tudo o q ja aconteceu ...continuo a esperar
 
posted by Anjo at 1:17 PM | Permalink | 1 comments
sábado, outubro 01, 2005
Quisera não ter conhecido os claustros daquela paixão inclemente. Se não houvesse o tempo marcador de horas e instantes, estaria mais longe de mim e de tudo que me consome, mas tudo persiste de forma latente e insegura como sempre. Em um paradoxo que não defino. Em um tempo escasso de nós dois. Pudera não ter tido sentido. Pudera não ter entranhado da maneira tão profunda como aconteceu. Pudera ter sumido a voz, esquecido as palavras ou até reprimido o grito, exatamente nos instantes que surpreendi os medos e os fantasmas desabonados de felicidade, cristalizando em paredes imaginárias o antes solto e disforme. Talvez devesse primar pelo que soube e que foi dito e que ecoa na canção viscosa em ouvidos desafinados. Aquela que ouvi e não acreditei. E que li em cifras, em notas musicais. Eram tons lúdicos anunciando que tudo estaria seguro e que nada abalaria. Estrutura concreta e sólida. Inabalável mesmo, ainda que inconscientemente. Abdiquei das explicações. Achei mais fácil não tê-las. Compreendi na minha própria subtração. Estaticamente em mim, onde me fecho a fim de esperar o ar acabar... Onde espero o meu merecido sufoco. E agradeço, por muitas vezes precisar prender o ar e ver até que ponto agüento a falta do meu oxigênio. Não haveria razão se eu ousasse, de súbito. Como em revoltas iminentes e românticas, mas que não permitem caminhos acertados. Desculpo o parecer, evito falar e me agarro em circunstâncias pré-determinadas por mim que não sei de nada e faço o que não deveria ser feito. Termino incrédula. Sem chances de argumentar. Esperando pacientemente a certeza transpor o arame farpado que construí ao redor do meu terreno baldio.
 
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