Tudo que vem fácil, vai fácil. Simplesmente não flui.
A luta, o desejo, a vontade infinita atraem o ser humano feito borboletas à luz.
Eu ao menos me sinto assim. Sempre criando fantasias com coisas que não tenho, que não posso tocar... Isso faz com que os dias sejam mais doces, que se tenha vontade de sorrir, de chorar, de rezar para todos os santos e pedir que seus devaneios poéticos se tornem reais.
Às vezes eles não se tornam mesmo, aquele turbilhão de emoções vai passando e se torna uma lembrança, um sentimento bom que existiu, mesmo que tenho sido apenas só seu. Acredito que sentimentos bons sempre são bem vindos a qualquer hora do dia em qualquer idade.
Mas nem tudo são flores. Existem os momentos de dor, de tristeza, momentos onde se tem vontade de se ajoelhar e pedir: Deus o que eu faço agora?
E as respostas não vêm. A solução não vem, e na sexta-feira à noite você fica sentada em frente ao computador escrevendo, pensando, tentando ao menos entender o porque dessas coisas.
Você pede a alguém, qualquer santo, qualquer demônio, qualquer ser superior que possa ouvir suas lamentações silenciosas, um sinal. Devo ou não seguir em frente? Você espera o sinal. Minutos depois o telefone toca, você tem certeza de que não é ele, no entanto a esperança geme, do outro lado da linha à voz é familiar, um velho amigo.
Seu coração não sente nada além de uma pontinha de dor. Inevitavelmente você pensa na pessoa idealizada, e como diz um texto que rola por ai, seu velho coração cansado e amargurado vira a bateria de uma escola de samba. Pra isso nem foi preciso muita coisa, bastou um olhar, meio sorriso e cinco ou seis minutos de pensamento para que esteja armada a poluição sonora, ou a melodia, depende apenas do bom senso do coração que está cuidando da orquestra.